Artigo

Publicado em: 7/3/2012

Prótese de silicone

Por Dr. Rodrigo d’Eça Neves
protese_silicone_2.jpg

As próteses de silicone para uso em mamas foram criadas nos Estados Unidos pelo Dr. Ernest Daniel Cronin durante a década de 1960. Antes haviam experimentado de tudo para aumentar as mamas, até mesmo gordura, que era enxertada em bloco, razão pela qual era absorvida e não funcionou. Contribuiu também para a falta de sucesso nestas pesquisas anteriores o desconhecimento do antibiótico com as consequentes infecções.


No fim dos anos 60 entrando na década de 70, houve muita mudança na qualidade das próteses mamárias com alterações da estrutura do silicone, tanto dos invólucros como daquele que compunha o conteúdo. A empresa americana Dow Cornning criou o método de sintetizar o silicone, material utilizável em qualquer estado, desde líquido até rígido passando pelo mole, gel e flexível. A companhia logrou manter sua descoberta em segredo durante bastante tempo.
Neste momento havia somente ela como produtora de silicone geral e de uso médico, de forma que atendia todo o mundo. Todos faziam as próteses com material da mesma origem. O que diferenciava os montadores eram alguns conceitos sobre dureza e formato das próteses.

Em 1970, chegou ao Brasil do Japão outro tipo de silicone com moléculas mais longas, acompanhado do argumento de serem estáveis e não migrarem. Entrou em cena com pouca aceitação pelo custo, mas induziu a outros produtores a reproduzir as características.

Na fabricação da prótese, usam-se moldes torneados em fibra de nylon com diferentes formatos, volume e tamanho estabelecidos, fixados a um pino que mergulhados em silicone são estabilizados em processo de vulcanização. Depois, em ambiente rigorosamente estéril, são desenluvados os invólucros dos moldes e preenchidos manualmente com silicone. Este silicone que preenche é apresentado em estado gel muito maleável altamente pegajoso com uma característica especial, que é chamada de alta coesão. Esta propriedade faz com que as moléculas do conteúdo tenham uma força de fixação entre si que não permite que extravase ou mesmo se espalhe pelo corpo. Antes de 1965, quando rompia o invólucro, o gel que preenchia podia e migrava para qualquer área do corpo. Hoje esta possibilidade já não existe mais.
Com o atual gel de alta coesão, não se tem encontrado migração do silicone em testes dirigidos com uso de minipróteses em ratos.


Externamente, a experiência que é feita consiste em provocar com objeto cortante a rotura da parede da prótese que, ao ser comprimida, permite a saída do gel, formando um cogumelo que automaticamente retrai e desfaz a saliência, retornando ao seu leito de origem no momento em que a compressão é desfeita.

 

O organismo humano reage contra a prótese porque é corpo estranho. Como proteção, isola do restante do corpo envolvendo com uma cápsula cicatricial e o aceita sem mais reações considerando excluído o material. No princípio, a retração era muito intensa, além de tornar rígida, denunciava na pele a sua presença. Neste momento, as próteses possuíam as paredes lisas e esta era a razão da contração das cápsulas cicatriciais.


Com o tempo, as pesquisas mostraram que invólucros feitos com várias camadas finas diminuíam a intensidade da reação cicatricial. Depois iniciou o conceito das superfícies rugosas, chamadas de texturizadas, seguindo com as próteses recobertas por poliuretano de uso médico. Com estas últimas, as estatísticas mostraram grande redução da hipertrofia da cápsula cicatricial e maior naturalidade nos resultados.


Quanto ao aspecto de ser indutora da formação de câncer ou impedir exames das mamas por imagens modificou. Os aparelhos de exame, como o ultra-som ou a mamagrafia, permitem boa avaliação e diagnóstico sem que a presença da prótese dificulte ou confunda. Entre eles, a ressonância magnética é muito precisa e confiável.


Após período de muita discussão e suspeitas, estudo realizado nos EEUU analisou, durante longo período, 1.000 pacientes portadoras de prótese mamária e 1.000 pacientes sem qualquer inclusão na mama e a conclusão encontrada revelou condição muito favorável ao implante, pois mostrou 27% a menos de câncer de mama entre aquelas que portavam silicone.

 

Os sinais de alerta, em geral, são aumento da consistência da prótese, percepção de nódulos ou dores acompanhadas de manchas vermelhas ou avermelhadas em qualquer tempo de pós-operatório.


O exame clínico é soberano nas decisões em relação aos exames a serem solicitados e tratamento a ser adotado.

 

 

 

Dr. Rodrigo d’Eça Neves - CRM 807
Prof. Titular de Cirurgia Plástica

Chefe do Serviço de Pós-Graduação em Cirurgia Plástica

da Universidade Federal de Santa Catarina




CreativeBizz

Guia Médico - Orgão Informativo da Área da Saúde de Florianópolis - atendimento@guiamedicoflorianopolis.com.br