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Publicado em: 19/1/2016

Cirurgia plástica e resultado prolongado

Por Dr. Rodrigo d’Eça Neves
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Uma vez envelhecidos, os tecidos não retornam às condições da juventude. Aceitam as modificações da sua forma e que as fazemos utilizando estruturas biologicamente comprometidas que constituem a principal limitação do cirurgião plástico.

 

Assim, falar em resultado em longo prazo é permitir que o paciente admita que o cirurgião tenha capacidade de agir sobre a ligação intercelular para corrigir aquilo que a decrepitude do tecido já o corrompeu.

 

O que devemos é estudar e pesquisar na busca de algum meio que nos permita realmente interferir corrigindo esta dissociação tecidual.

 

Do contrário seguiremos a atuar de forma indireta para obter um retorno da anatomo histologia modificada, na busca da recuperação daquilo onde o tempo já produziu seus efeitos.

 

Na verdade apertamos o segmento do corpo como se fosse uma bolsa para comprimir seu conteúdo e assim modificar a forma sem corrigir sua qualidade intrínseca.

 

Nunca imponha sobre você a obrigação de resultado acima daquele que a técnica e o objeto lhe permitam.

 

Até o momento somos impotentes e não há este domínio técnico para interferir e modificar esta realidade. O que temos é que examinar, ver, diagnosticar e discutir as realidades com os pacientes, para evitar e não permitir o mal entendido. Pois o paciente na consulta pouco escuta, ele apenas ouve o que deseja e assim reforça sua fantasia, cria falsa expectativa, o que origina desconforto com o resultado diferente daquele imaginado. Depois acusa seu médico de erro, hoje entendido como “erro imaginário”.

 

O paciente da cirurgia plástica estética não é doente, mas, tem desconforto com sua imagem e monta no seu cérebro uma janela e através dela recebe estímulos, conscientes ou subconscientes que geram o entendimento determinante da necessidade de submeter-se à cirurgia, às vezes de grande porte com riscos, tão somente para modificar este sentimento.

 

A sua mente cria as janelas do desejo e da fantasia e, como resultado através de estímulos do autofluxo inconsciente, imagina o resultado a ser obtido pelo método que lhe é oferecido e realizado pelo seu "mago" cirurgião plástico.

 

Neste momento, nossa cirurgia corrige aquilo que está ao seu alcance, mas, o paciente tem que estar esclarecido da realidade.

 

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Dr. Rodrigo d’Eça Neves | CRM-SC 807 / RQE 71
Prof. Titular de Cirurgia Plástica

Chefe do Serviço de Pós-Graduação em Cirurgia Plástica
da Universidade Federal de Santa Catarina




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